quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Entrevista: Ronaldo Honda (Fotografo)


(O demônio - Ronaldo Honda)

Seria ousadia não dizer que na arte da fotografia Ronaldo Honda é um gênio. As luzes, o momento, a meticulosidade das técnicas, as idéias. Acho que posso dizer que ele ousa o clássico sem cair na contempoaneidade vazia. Existem artistas que se contentam com o que sabe, mas ele vai além em tudo que pode, ousa, aprende e nos entretem com suas fotos que são no mínimo lindas.
Este grande fotógrafo estará se apresentando no Ego Tripping no dia 15 de agosto no Espaço Impróprio, na rua Dona Antonia de Queiroz, 40.
Ele nos fez a gentileza de conceder uma entrevista e aqui vai.

Quais são as suas referencias artísticas, o que te inspira?
Artistas como Rembrandt, Jan van Eyck, Ansel Adams, Yasumasa Morimura, Cindy Sherman, Kazuo Ono, entre outros. Nos três últimos exemplos a forma da auto representação muito forte é exposta nas suas fotos e me inspirou muito para alguns projetos realizados ao longo desses últimos 4 anos.

Qual o seu objetivo ao fazer fotografias artísticas?
Quando penso em um projeto e me preparo para tirar as fotos, procuro transformar aquela imagem muito forte visualmente e interessante e que consiga de alguma forma mexer com o imaginário do observador.

Como foi a sua formação de fotógrafo?
Desde novo sempre gostei de ficar mexendo e brincando com uma câmera fotográfica reflex nas mãos, mas na parte da teoria não sabia muita coisa, e na hora de fazer o vestibular, surgiu uma grande oportunidade, após eu descobrir que havia apenas uma faculdade de fotografia, e que era considerada uma das melhores na America Latina. E ao passar dos anos, comecei a olhar de outra forma essa área da Arte, e aprendi muita coisa que não imaginava no inicio da faculdade ser tão necessário para se tornar um bom fotografo. A minha formação é Fotógrafo.


O que você acha de repercussão, mercado e exposição dos novos
artistas brasileiros?
Nos dias atuais a repercussão e exposição de novos artistas na área de fotografia esta crescendo muito, pois todo ano o aumento de concursos fotográficos faz com que novos artistas tenham mais oportunidades de se mostrar ao mundo e suas maravilhosas obras, e se no caso de conseguirem ser o primeiro colocado têm a oportunidade de fazer uma grande exposição que pode percorrer por diversas cidades e algumas vezes com oportunidades de se mostrar em outros países. Agora o mercado de trabalho na minha opinião, esta muito difícil, pois é muito mal aceito em algumas áreas pelos "companheiros" mais antigos na profissão, ou em muitos dos casos não recebem o verdadeiro crédito por seu trabalho.

O que você acha sobre a fotografia no Brasil?
A fotografia no Brasil, no inicio possuía uma divisão entre fotodocumental e foto artística, gerou muitas discussões durantes anos. A fotografia como documento opõe-se à idéia de fotografia como ramo das belas-artes. As intervenções no registro fotográfico por meio de técnicas pictóricas foram amplamente realizadas numa tentativa de adaptar o meio às concepções clássicas de arte, que ficou conhecido como fotopictorialismo. E após diversas mudanças durante os anos da existência da fotografia, essa divisão continua até os dias de hoje, porém com menos força, o fotojornalismo ainda é uma forma de documentação do acontecimentos diários, e também existem alguns artistas que preferem continuar as experimentações com técnicas mais antigas, mas ambos na minha opinião são considerados artistas, podemos encontrar em diversos museus e galeria de arte, os dois estilos de técnicas expostas.

Quais são seus planos para o futuro com relação a sua carreira?
Recentemente formado em fotografia, estou com alguns projetos com amigos de formar uma equipe de fotógrafos para eventos, e também estou em processo de experimentação com áreas um pouco desconhecido para mim, que é a fotografia de cinema, visando alguns cursos este ano. Mas o importante é continuar conseguindo contatos com pessoas do meio artístico e conseguir trabalhar dentro dessa área que me deixa muito feliz.


Se quiser mais um gostinho entre em:




quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Coluna Semanal: Listinhas Marcianas


por Marci Kühn


Depois de um hiato de uma semana, eis-me aqui novamente.
Quero começar dizendo que esta listinha da semana será sobre o afamado, o maligno, l'amour!
O tema desta semana se entitula "Os melhores romances".
Em primeiro lugar está o Auto de Fé do Canetti. É lógico que existe um amor alí, um amor quase devastador e não é com a moça da saia, mas de Kien com seus livros. Um caso tão poderoso que em um episodio ele se esconde em uma livraria para passar as noites com seus livros e até os leva para passear em uma pasta. Ele faz loucuras para salvá-los do fogo entre outras coisas.
Não dá para deixar de lado O Retrato de Dorian Gray de Wilde, um homem que se ama tanto que dispensa sua alma para se preservar lindo como um quadro. Isso que é se amar. Outro amor que me recordo é o de dona Bibiana e o Capitão Rodrigo. Em Santa fé, no livro de Erico Verissímo o Continete, um forasteiro com um jeito estranho para os moradores se apaixona por Bibiana. Acabam ficando juntos, mas a um preço que só uma mulher que ama muito aguentaria e mesmo depois de morto Bibiana vê em seu filho e neto a figura de seu tão amado capitão. Não posso esqueçer do amor de Maga e Oliveira em o Jogo da Amarelinha de Julio Cortazar. Ele a ama tanto que dá graças que o filho dela Rocamandour morre e podem ficar a sós, ama-a tanto que quando está de volta em seu país de origem vê seu rosto em todos os cantos. Ama-a tanto que a depreza. Amor, quem entende disso?
O protagostista de Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios de Marçal Aquino entende, pois aceita viver numa cidade horrível no norte do Brasil e aceita todas as fases de sua amada e até o fato de ser casada. Aceita ser espancado e também aceita que ela morra.
É isso pessoal, o amor é tragico, só que é mais trágico é viver sem ele.
Até a próxima semana!


terça-feira, 28 de julho de 2009

Coluna Semanal: Playlist da Semana


Playlist da Semana

por Mateus Perito


Mais uma segunda-feira chegou e o frio ainda domina São Paulo, digitar a coluna está sendo um inferno, meus dedos congelam, assim sendo minhas indicações para essa semana são quentes, para que quem sabe o frio possa pelo menos ir embora de nossos cérebros, porque o corpo não tem como salvar. Então para maldita segunda-feira ficamos com “Pretty Face is Going to Hell” do “Iggy and The Stooges”, melhor musica do clássico Raw Power, apesar de ter um dos maiores clichês (sem criticas) do Stooges e todo mundo dizendo que “Search and Destroy” é que é a melhor, eu discordo “Pretty Face is Going to Hell” esquenta qualquer pessoa. Confira Aqui!
Para a terça-feira continuarei com frio e ainda teremos que sair de casa nesse frio então continuamos esquentando com “The Name of Things” do Andrew Bird, excelente música de um dos caras mais produtivo dos Estados Unidos, quase um disco por ano e todos ótimos discos, diferente do que alguns devem estar pensando.
Quarta-feira meio da semana será que o frio já vai ter ido embora? Provavelmente não então para um dos piores dias da semana vamos para o fundo do poço e ouvir algo bem frio como “Hymn of The Big Wheel” do “Massive Attack”. Os reverbs exagerados da música fazem você ficar pensando que está sozinho em um Anfiteatro e tem um maluco cantando em algum lugar. Ao contrário de Andrew Bird, o Massive Attack grava poucos discos, já esperamos por uma nova perola deles há uns cinco anos mais ou menos, mas ouvi boatos de que eles estão no estúdio gravando um novo disco, o que esperar? Não sei, mas deve ser bom, eles não perdem a mão. Confira Aqui!
Quinta-feira com esse frio as esperanças são cada vez mais baixas, então para curar esse marasmo ouça o som quente do The Bens, dê atenção a “Just Pretend”, um country cantado com três vozes que mostram que se você não agüenta mais esse frio é melhor você ouvir o EP inteiro deles. O The Bens é um projeto de três caras muito conhecidos e importantes do cenário indie americano, Ben Kweller, Ben Lee e Ben Folds, eles lançaram apenas um EP com quatro músicas em uma tiragem mínima, eu garanti o meu, mas está ficando cada vez mais difícil para os amantes das bolachinhas achar esse disco. Veja a versão ao vivo aqui!
Para a sexta-feira o frio não importa mais. Afinal é sexta! A semana foi uma bosta, então dane-se o frio, saia mesmo assim e ouça “Charming Man” dos Smiths é uma indicação fácil porque afinal em qualquer balada da Paulista que você for você for acabará ouvindo essa música. Veja Aqui a Versão Ao VivoPara o sábado ouça um clássico vá até a coleção de CDs da sua mãe e procure pelo Elton John veja se em um dos discos que você achar (duvido que sua mãe só tenha um do Elton John) tem a musica “Tiny Dancer”. Veja Aqui a Versão Ao Vivo
Saiba que sua mãe não gosta só de porcaria e essa música é boa demais. Agora para o seu domingo se ainda estiver frio ouça Sá Marina do Wilson Simonal, para você lembrar que você ainda está no Brasil e que aqui é um país tropical e a tendência é uma hora ou outra o frio ir embora. Até semana que vem, e boa sorte com o frio.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Coluna Semanal: Listinhas Marcianas

Listinhas Marcianas


por Marci Kühn

Desde que vi alta fidelidade fiquei absolutamente viciada em listas. Listas de músicas, de músicos, de atores, de filmes, diretores, livros, contos, livros de contos, enfim, tudo quanto é lista eu faço. Tornou-se uma obsessão e depois um hábito, hoje vejo como um velho amigo que me acompanha, me preenche e diverte. Eu e meus amigos freqüentemente fazemos listas, ficamos horas discutindo, criticando as listas do outros ou concordando com o “au concour”. Pensei, por que não instruir e dividir com os outros minhas elucubrações e experiências artísticas? Não que seja muitas, mas têm seu valor.
Então, senhoras e senhores apresento-vos a minha coluna semanal que chamo carinhosamente de “Listinhas Marcianas”. Essa semana começo com “Os 5 livros de aventura que eu gostaria de participar”. Ah! Um detalhe sobre minhas listas é que não faço por ordem de melhor para pior. Não gosto de avaliar importância entre tantos livros bons. Dito isso... aí vai.
Começo com o inigualável Dom Quixote de La Mancha, um homem que fica tão enfeitiçado pelas aventuras, valores morais e romances que lê nos livros antigos e que decide então fazer sua própria aventura. Lógico que ele também é um louco, quem sabe, e totalmente anacrônico, esperando do mundo uma coisa que ele não pode oferecer. Existe muito nesse livro que levaria tempos para se analisar e compreender, mas que as aventuras são deliciosas e engraçadíssimas, isso são. E por isso é um livro muito bom de ler.
Depois elegi o Serafim Ponte grande, do Oswald de Andrade, “o carro plecpleca na rua”, como segundo da lista, é um livro simplesmente genial. Só o fato do Serafim passar por todos os ramos literário, de poesia até teatro, incluindo diário, epistolas, prosa e etc., já é uma aventura por si só, mas esse rapaz além disso bota pra quebrar, seja em terra ou em navio!
Em terceiro lugar vem um livro pouco citado, mas de extrema importância do Rabelais, Gargantua e Pantagruel, que na verdade são cinco livros que se completam em uma história. O primeiro é sobre o Gargantua ( Que garganta a tua!) e os outros quatro são sobre o Pantagruel, seu filho. Esses dois são gigantes comilões, são também Reis e bem instruídos e andam por aí salvando o dia com a cultura dos livros. Pantagruel se safa de umas boas de formas riquíssimas. Dá vontade até de ver de perto!
Quarto lugar na lista coloco o inesquecível As aventuras de Huckberry Finn do gênio Mark Twain, que por sinal, acho que nunca li um só livro ruim deste homem, ele tinha ótimosinsights”. Huck que acompanhou as aventuras do Tom Sawyer, agora enfrenta as suas próprias aventuras e problemas sozinho, bem sozinho não, ele e o Jim, um negro e escravo que ele ajuda a escapar. Os dois viajam de jangada Misissipi abaixo procurando um estado livre da escravidão. O que eu não daria para sentar à luz da lua ouvindo histórias e fumando um cigarro com o Huck.
Por último cito a clássica Odisséia do clássico Homero. Realmente antes de ler esse livro já o considerava chato, na época a lógica “coisas velhas são chatas” fazia todo o sentindo. Depois de lê-lo muitas coisas se encaixaram e o Odisseu ou Ulisses passou a ser uma figura tão esperta e vivaz que eu queria mesmo era ser ele. No fim da guerra (que é narrada na Ilíada) Ulisses quer voltar para casa, mas as intempéries o impedem e ele se mete em muitos problemas, e essa viagem de volta para casa acaba se enriquecendo mais e mais e a vontade de voltar para os seus e poder contá-la nos inflama também, ficamos quase tão ansiosos para voltar para casa quanto o Ulisses. Este é um livro que todos deveriam ler, definitivamente.
Bom, minha lista está pronta e quem sabe ela o faça subir naquela escada e abrir um destes empoeirados livros!
Até semana que vem.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Coluna Semanal: Playlist da Semana


Playlist da Semana



por Mateus Perito

Quem diria que eu estaria aqui de novo, quem me conhece diria “Ah! Ele vai desencanar de escrever toda semana”. Não! Ganhei deles, são já duas semanas seguidas e estou de parabéns.
Mantendo fidelidade ao ideal dessa coluna cá estou eu novamente para indicar a Playlist da Semana. Estou escrevendo a coluna nessa segunda-feira, está um puta frio lá fora, uma garoa de gelar os ossos e pra curar esse clima deprê estou ouvindo “The Bus Stop” do “Homiepie”, banda brasileira muito boa e inclusive tive o prazer de tocar com eles nesse sábado que passou. E fecharam a apresentação com “The Bus Stop”, o que foi incrível e apoteótico, e também fez o povo de Limeira bater palminha. O “Homipie” disponibilizou recentemente seu novo EP chamado “Is A Wiener, Dufus, Poindexter, Peanut, Dude, Bro, Homey, Rapmaster and Funklord” atenção para esse EP, nele eles estão muito mais maduros sonoramente que no seu EP anterior “Fireworks”, escute bem as faixas “Snowy Underwater” e “MVP”, que fazem você pensar que a melancolia não é tão inoportuna assim. A quem interessar no dia 15 de agosto em nossa festa, o Ego Tripping, eles serão uma das atrações e para quem acha que é babação de ovo, vale à pena conferir para ver como a banda é realmente boa. My Space do Homiepie
Já para a terça-feira eu indico “Eye Know” do “De La Soul” do seu disco clássico “3 Feet High and Rising” lançado em 89. Se você acha que RAP é um estilo morto que não dá em nada ouça o “De La Soul” e sua idéia irá mudar. Agora, se me perguntarem “por que na terça eu deveria ouvir De La Soul?” eu responderei o seguinte “não há razão alguma, é o que eu vou ouvir na terça!”.
Para a quarta-feira, naquela pressão, você ainda tem um monte de coisas para fazer, então vamos ficar logo malucos ouvindo “Winters Love” do “Animal Collective” do álbum “Sung Tongs”.Confira aqui uma versão "animal collective" pelo Animal Collective Para quem não sabe recentemente caiu na rede uma musica nova do AC chamada “Bleed”. Esta música foi feita em alguns poucos dias, eles afirmam que a fizeram porque queriam uma música nova para apresentar em sua nova turnê, a versão ainda é bem crua, mas a gravação que fizeram de um de seus ao vivo é bem, boa confiram! Bleed ao Vivo!
Quinta-feira já tem balada pra fazer então divirta-se. Saia e aproveite porque as férias estão acabando e a cidade não vai estar tão vazia assim por muito mais tempo. Prepare-se para a balada ao som de “Golden Age” do “TV On The Radio”, você vai entender o porquê, eles com certeza são uma das melhores bandas dos anos 2000. Veja Aqui o Clipe!
A sexta-feira chegou então é hora de comemorar com seus amigos que te esperam no bar, enquanto você se arruma ou caminha para encontrá-los ouça “Dirty Hands” do “Black Lips”, porque afinal hoje você vai acabar fazendo muita merda. Ouça aqui a versão de estúdio
Para o sábado saia para assistir um bom show das bandas independentes de São Paulo. São boas. Ouça alguma delas e seu sábado vai ter valido a pena. E para fechar sua semana seria uma boa algo animado porque ainda há esperança e você só vai precisar esperar mais cinco dias para o fim de semana. Ainda há uma luz no fim do túnel. Para garantir que a depressão não te mate ouça “Shady Lane” do “Pavement”, um clássico do alternativo americano, não preciso dizer muito mais do Pavement. Eles são foda e todos sabem disso. Fico por aqui, garanto que todas as músicas são boas. Divirtam-se ouvindo todas elas, mas não vale trapacear. Cada um delas é para cada dia da semana, não vale ouvir tudo num dia só.Confira aqui o Clipe dirigido por Spike Jonze

Conto: No Mar

No Mar


(William Bougereau - A Onda de 1896)



Lá fundo do mar eu olhava a praia, olhava os passantes, as crianças brincando com a areia, as moças e seus guarda-sóis. Gostava de estar lá, no meio do nada, só eu e o impulso da água, coisa que me pergunto há tempos, de onde vem a força do mar. Já me explicaram, mas não acredito, tudo balela. Deve ter um dedo, um dedo bem grande empurrando para lá e para cá, para lá e para cá as água do mar. Eu estava lá, ninguém tinha ciência na minha existência nestes poucos instantes, e eu tinha ciência de todos que estava ali. Um barco passou puxando uma prancha com um garoto em cima, ele parecia estar se divertindo, eu sorri. Gosto de ver diversão, gosto disso. Resolvi boiar então, e ficar olhando as aves no céu, contanto nuvens. Mexia os braços para cima e para baixo, acariciando minha pele com o suave contato que a água gelada fazia, como se fosse o toque gentil de uma mãe carinhosa, algo que me faltou. Que diabos! Que me falta até hoje. Sinto uma desolação de tempos em tempos, um nó dentro de mim, ter de voltar para minha casa fria, dura, meus lençóis ásperos e a televisão inóspita, aqui eu me sinto melhor. A água me acalma, ela me dá uma paz que não posso ter. Penso nisso por algum tempo enquanto bóio e a água entra em meus ouvidos, e em minha boca. Torno a olhar a orla, ela é circular e apareceram mais pessoas, parece que não cabem todos neste pequeno espaço de terra. Eles se entulham, ainda bem que não estou lá. Mergulho, o máximo que posso, tento encostar os dedos no fundo, não consigo, tento novamente, desta vez tenho um punhado de terra em minhas mãos. Jogo a em meu rosto, é como se eu tivesse poeira lunar em minha mão e em meu rosto. E sinto a mistura, o toque gentil da água, minha mãe, e o toque áspero da areia, minha amante. Interessante, minha mãe é água e a terra é minha amante. Quando quero prazer piso no chão e faço o que tenho de fazer para consegui-lo, mas quando quero amor, relaxamento, carinho entro na água e ela me dá a paz e o alivio que a terra compôs.
Gostaria de voltar para a terra agora, mas acho que estou longe demais, também estou fraco demais para agüentá-la, ou para que ela me agüente, todo meu peso em cima dela, minhas reclamações e eventualmente algumas lágrimas, a água, para me consolar um pouco. Acho que não voltarei, me deixarei ser consumido pelo mar. Afasto-me mais e mais, as braçadas começam a ficar mais e mais pesadas e tusso a água que entra em meus pulmões pesados, bóio e olho a orla, as pessoas ainda estão se ignorando neste convívio comum. Por que então saem de casa? Minha perna, a câimbra, uma dor horrível, me afogo.
Ninguém percebe. Eu olho sentado na areia, ainda posso sentir o que ele sente, a câimbra, o carinho da agua, ele esta tendo uma morte agradável, no lugar que ele gosta. Não o conheço, mas sei que ele era infeliz, estará em paz lá no fundo do mar, a água que nos acalma tanto, ela o puxa para si, após todo esse longo tempo de distancia entre si, ela quer seu filho de volta. Alguém grita, e um salva-vidas pula no mar para salvá-lo. Alguém, não sei quem, me cutuca apontando e dizendo que eu estava vendo tudo e não falei nada, que estava deixando o pobre coitado morrer no alto mar, mas eu sei o que ele quer, eu sei o que ele estava pensando. E eu respondo.
- Não sou nada mais do que o voyeur de um voyeur.


Marci Kühn 13 de junho de 2009

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Coluna Semanal: Playlist da Semana


Playlist da Semana


por Mateus Perito

Abrimos a semana e estreiamos a Playlist, toda semana na segunda feira estarei passando a minha indicação para você que não vem se dando muito bem com a música ou quer uma dice de um expert (neste caso você está no lugar errado).
A maldita segunda-feira chegou e o mal humor está nas alturas, então nada melhor do que ouvir “Move On Up” do “Curtis Mayfield” Veja aqui a versão ao vivo, para sacudir o esqueleto e colocar as branquelas para dançar. Curtis lançou três discos excelentes (Curtis, Root e Super Fly) o verdadeiro rei do soul Marvin Gaye fica no chinelo.
Para a terça-feira, o famoso dia do marasmo, nada melhor do que “Operation” do “Deerhunter”, um monte de paredes de som regadas com uma voz doce e marinadas com uma bateria que deixa você pensando “como esse F#%@ faz isso?”. Para quem não sabe recentemente o “Deerhunter” lançou o álbum “Microcastle”, mas como o disco havia vazado há uns 4 meses o disco foi lançado com outro disco de extras o “Weird Era Count”, “Operation” se encontra nele. Veja aqui a versão ao vivo
Quarta-feira a semana já encheu o saco e o fim de semana ainda está longe então nada melhor do que desencanar e viajar um pouco, para isso recomendo uma pílula chamada “Higher Than The Sun” produzida pelo “Primal Scream”, psicodelia absolutamente chapada. Veja aqui a versão ao vivo
Quita-feira, você está pensando “ta chegando!” para você não pirar recomendo uma música tranqüila porém bonita e animada, difícil? Nem tanto, aí está “Bom senso” de “Tim Maia”, do seu disco mais maluco “Racional”, baseado na cultural religiosa Racional que dizia uma penca de coisas malucas, coisa de Tim Maia. Veja aqui o clipe
A sexta-feira chegou, viva! Para sua sexta eu recomendo “Wake Up” do “Arcade Fire”, o ar melodramático e feliz expressa bem o que você está sentindo. Veja Aqui
Agora para o sabadão nada melhor do que Beatles, a melhor banda do mundo para o melhor dia da semana, nesse caso ficamos com “Hapiness is a Warm Gun” do lendário “Álbum Branco”, divirta-se Veja Aqui. E para fechar a rebordosa do domingo naquele puta tritezão “Place To Be” do depressivo “Nick Drake”, presta atenção na letra que você acaba se entendendo. Veja Aqui

É isso aí, boa semana para todos!