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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Coluna Semanal: Listinhas Marcianas



Sem cuprir a promessa do título, aqui estou mais uma vez.
Esta semana a lista será sobre livros que tem passagens em jardins. Os jardins são verdes, belos, harmoniosos, secretos e dão uma sensação de felicidade, contentamento e calma. Deixando as paixões da alma de lado, vamos aos colocados.
Cito em primeiro lugar"as Ondas" de Woolf, o livro não é sobre jardins, tampouco sobre mar, mas exisre uma cena tão bela no começo do livro, em que os seis personagens brincam que dá água na boca.
Em segundíssimo lugar uma amiga da Virginia Woolf, a Katherine Mansfield com o intraduzível "Bliss" ou Felicidade. Na verdade é só um conto, mas intitula o livro, que aliás tem uma tradução bela do Erico Verissímo. A história é de uma festa em casa e passagens pelo jardim e outras no livro são festa de jardim e chapeus azuis e grandes, um livro adorável e uma contista importante para a literatura.
Terceiro No caminho de Swann, do afamado Marcel Proust não são jardins propriamente ditos, mas paisagens jardinescas e floridas dos dois lados. Se não leu está atrasado na leitura de um clássico supremo.
Quarto lugar fica o Jardim dos Fizzi Contini que teve uma adaptação no cinema pelo De Sica, que realmente vale a pena ver.
Em quinto e último lugar fico com o Desonra do J. M. Coetzee. Neste livro a filha do professor acusado de assédio sexual tem uma fazenda de flores. Não é um livro belo, ele é duro e dolorido e nos dá a sensação de perda no mundo.

Espero que leiam alguns dos livros acima, todos são muito bons.
Até a próxima.


Por Marci Kühn

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Entrevista: Paulo Quirino (Pintor)

(Paulo Quirino - Confidências)


-O que te inspira? Quais são seus pintores favoritos?
Cenas surreais. Escritores como Breton e Cortázar me fizeram entender o surreal como maneira de "escapar" da tradição e do moralismo, e lendo Camus compreendi outras formas de enxergar o "mundo real". O que mais me inspira é perceber os acontecimentos que estão nessa transição, entre o real e o imaginário.Estes escritores acabaram me influenciando mais do que os pintores, mas sobre esses, foram três os que mais me marcaram: Klimt, Monet e Van Gogh. Atualmente acho que o pintor que mais me influencia é o Lasar Segall.
-De onde surgiu o seu estilo, como vc chegou a sua técnica e para onde você quer ir com ela?
Quando me interessei pela arte impressionista. Acredito que a técnica das pinceladas me serviu como base para a maioria dos desenhos que tenho feito. Minha idéia é tentar uma harmonia, uma unidade, algo que fale sempre pelo todo, de forma que na construção do desenho tudo tenha o mesmo valor.
-Qual a sua formação como pintor?
Sou formado em Relações Públicas mas desisti de seguir a profissão durante o curso, quando me interessei pelo design gráfico (eu também sempre tive o costume de desenhar). Comecei me dedicando ao desenho pelo computador e só depois de algum tempo tentei criar pintando. Mas ainda sim, tenho feito mais os digitais.
-Qual visão você tem da arte contemporânea, estamos numa era um tanto contra pintura de tela e o modo clássico da coisa, que você pensa?
Não atribuo tanto valor à arte para dizer quem está certo ou errado produzindo algo. Acho que é essencial conhecer a pessoa, o criador, antes de julgar a criação. Tomando por base a obra como "espelho" do criador, eu dou preferência à pessoa, e dessa maneira eu posso compreender a obra dela. De forma geral, vejo a produção artística atual com uma cara muito diluída e independente do criador. Percebo que tudo está muito mais ligado aos conceitos criados do que diretamente à pessoa, e as obras me parecem muito "defensivas". Eu creio que isso não demonstre, de fácil compreensão, a personalidade do artista, seus gestos, suas particularidades.
-Como nossa festa é multicultural, fala um pouco sobre seus outros gostos artisticos e dá uma dica pro pessoal.
Eu recomendo o festival Bourbon Street como a dica (esse ano já aconteceu no mês de agosto). Para mim, como para quem gosta da música instrumental (funk, swing, jazz, etc), creio que são dois finais de semana de muito bom som.
Para saber mais:
Para e também falar com o artista e ver e comprar suas obras não percam esse domingo, dia 25 de outubro, no Kabul, na Rua Pedro Taques, 124, perto do metro da consolação!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Resenhinha: A Casa das Belas Adormecidas de Kawabata


Com uma sutileza extrema este autor trata do sexo. Quando você lê nem se apercebe desta informação importante, mas quando te perguntam sobre o que é o livro e então relutantemente tem que responder: sexo.
Dizem que o Chico Buarque tem a alma feminina pois narra em suas letras a mulher como ela é, o Kawabata é mais mulher do que eu. Ele capta a essência e o sabor da mulher, mas também a solidão do amor.
Esse livro é sobre um lugar em que as mulheres estão dormindo e os homens pagam para dormir com elas. E o protagonista, o Eguchi, começa a ter uma relação com a mulher. Uma relação unilateral, mas que de qualquer forma para o personagem é uma relação. Ele a observa e enquanto isso revê todas as suas experiencias anteriores. O que se pode chegar a conclusão de que esta é a sua melhor relação. Uma mulher dormindo e ele velho e cansado a olhando e a testando, imaginando mil vidas para ela.
Este livro deve ser lido por que se você não conseguiu entrar em nenhuma história, nesta certamente vai conseguir entrar. As descrições sensoriais são mais do que fantásticas e quando se menos espera estamos lá na casa das belas adormecidas, observando a moça e sentindo seus cheiros e tocando-a.
E se nunca leu um japonês, melhor começar pelo melhor.


Por Marci Kühn